A crise e a arquitetura de interiores




A crise que subitamente surpreendeu a todos e a consequente falta de dinheiro circulando no mercado tem um lado completamente positivo, que é a necessidade de deixarmos a zona de conforto e partirmos à procura de soluções novas, mais criativas, baratas e satisfatórias.

Em um primeiro momento, para aqueles que estavam acostumados à champagne da classe executiva, não será uma tarefa fácil compartilhar mais de oito horas de vôo com tanta gente ao seu lado. Ao fim dessa milhagem com tantas escalas, talvez o percurso não seja tão negativo assim. Há muita gente legal viajando pelo mundo e a probabilidade de você desfrutar de uma companhia incrível aumenta consideravelmente. Além disso, ao invés de dormir a noite toda, você vai chegar ao destino um pouco mais cansado mas, certamente, terá visto um ou dois filmes que você queria tanto assistir mas nunca encontrou tempo para ir ao cinema.

Na arquitetura as coisas não são muito diferentes. Em crise há sim a necessidade de acharmos novas oportunidades para alcançar nossos objetivos. Minha sugestão é que se comece pela base. O investimento primeiro deve ser na estrutura, se for o caso, e se o dinheiro permitir, partimos já para a finalização com móveis e elementos decorativos.

Nos últimos anos, em que se gastava muito dinheiro nas lojas de decoração, o resultado final, muitas vezes, sinalizava para um ambiente comercial, meio que como uma repetição do que se via nas vitrines das lojas, com pouca personalidade e sem identificação com o cliente.

É tempo de valorizar habilidades, de confecção própria, de artesanato, de resgatar coleções antigas, de utilização máxima de móveis de família. Mesmo nesse contexto bem mais econômico, a ajuda do profissional deve cada vez mais otimizar os trabalhos, afinal, “ home is where your story begins” !...

Ana Padilha é arquiteta.