Tempos modernos: a vida online e as mudanças inevitáveis.


Recentemente tive a oportunidade de ler um texto brilhante do advogado Bernardo Strobel Guimarães na Gazeta do Povo defendendo a utilização, aqui em Curitiba, do aplicativo Uber para chamamento de taxi. 
 
Soube que até mesmo os vereadores na Câmara Municipal se sensibilizaram com a classe e criaram projeto de lei proibindo a utilização do aplicativo, garantindo o serviço convencional. É sabido que, ainda mais quando se há jogo de interesses, é muito difícil a aceitação de mudanças e tecnologias.
 
Todas aqueles que sabem que “liberdade é uma calça velha azul e desbotada”, em algum momento sentiram ódio de Odete Roitman por declarar que “nessa republica calorenta de bananas vale tudo e todo político busca sua comissão”!
 
 
Não é possível segurar o progresso, tampouco as facilidades disponíveis do consumidor ao alcance das mãos. Quem ainda se dispõe a pegar o carro, dirigir-se até uma locadora de vídeo, escolher um título nas prateleiras e ainda preocupar-se com a devolução em dia sob pena de multa?
 
Francamente, é como se a vovozinha se recusasse a ler as notícias da netinha no celular e, por puro saudosismo, ficasse esperando a cartinha chegar pelo correio. O serviço postal no Brasil é um exemplo excelente porque é exercido com exclusividade por uma empresa pública, que a despeito do que é essencial, está sendo a cada dia substituído pelas mensagens eletrônicas.
 
No caso dos taxis, é a mesma coisa. Quem é que vai ficar esperando um amarelinho por puro saudosismo ao invés da tranquilidade da discrição do carro sem identificação e pagamento com cartão de crédito e maior segurança? É só uma questão de tempo!
 
Na arquitetura não é diferente. Cada vez mais os profissionais precisam atualizar-se e adaptar-se às novas realidades, pincipalmente em época de crise. Soluções inteligentes e respeito ao bolso do cliente e suas preferências são uma premissa básica. A informação do potencial e limitantes de cada projeto é, contudo, indispensável para que cada parceria CLIENTE-ARQUITETO consiga fazer o melhor.
 
Construções racionais, espaços com materiais alternativos, ambientes com possibilidades de múltiplos usos e de fácil manutenção, pouco mobiliário, são exemplos de projetos viáveis sem perder a qualidade. O menos é mais!
 
Há na tecnologia da construção uma constante evolução, e o profissional capacitado oportuniza a correta interpretação das leis de urbanismo, além de viabilizar concretamente os anseios do cliente. E que venha o futuro porque, “the world is a circle without a beginning, and nobody knows where it really ends, everything depends on where you are in the circle that never begins...”
 
Ana Padilha é arquiteta.